segunda-feira, 4 de maio de 2015

Ato 1 - Episódio Extra: Lionheart


"Que força é essa que eu sinto, quando tudo que deveria ter restado em seu corpo seria fraqueza, arrependimento e morte? Algo está errado. Eu esperei muito tempo por este momento, adormecido, emprestando pequenas porções de meu poder através deste receptáculo, que ao mesmo tempo em que me mantém vivo, me priva da liberdade... este é o momento oportuno, o momento tão esperado! Porque não consigo tomá-lo?
Finalmente encontrei um hospedeiro compatível, depois de tantos séculos em letargia. Eu alimentei seu corpo com meu poder, e o acostumei à minha presença, lentamente. E agora que chegou o momento de sua morte, por algum motivo não consigo tomá-lo! Alguma coisa me impede, essa força estranha que emana de sua alma, e que por algum motivo me lembra da chama ardente de minha idolatrada senhora! Mas é impossível, não tem como ser a mesma coisa. Estaria esse hume prestes a ascender ao poder da centelha cósmica?
Não posso permitir. Devo arriscar tudo, minha vida e minha missão, mas devo impedi-lo. Farei o possível para evitar a sua morte, te darei uma sobrevida, serás corrompido pela minha energia e juntos seremos destruídos. Tu queres salvá-los, não? Tu queres uma segunda chance de lutar. Eu sei, estou em tua mente, em teu corpo, em teu coração, me carregasses contigo durante anos, assim como teu pai e o pai dele antes de ti. Eu te darei o que pedes, em teu subconsciente. Mas em troca, tua chama jamais despertará, me assegurarei disto. Nem que para tanto, tu me leves contigo!
Meus irmãos, deixo a minha nobre tarefa em suas mãos..."
Carmine desperta. Uma dor lancinante percorre todo o seu corpo, e uma sensação estranha que mistura medo e tensão faz ele reparar no buraco em seu peito. Uma voz feminina, vinda de longe, anuncia algo que ele não ouve, parece ser uma mensagem urgente. Ele apanha a espada ao seu lado, companheira de tantos anos, e percebe que sua lâmina está estilhaçada. Ele levanta, e nota uma movimentação próxima. Não a tempo para lamentar, não a tempo a perder. Algo precisa ser feito, e se por algum milagre ele ainda está vivo, esses preciosos minutos não serão desperdiçados.
Ao fazer o que tinha de ser feito, Carmine para e pela primeira vez percebe como está frio dentro daquele vulcão. Ele percebe Edward se aproximando, e pergunta se todos estão vivos. Após o cadete responder afirmativamente, ele sorri, aliviado. Acabou, eles venceram. Neste momento, ele se lembra de algo que seu pai uma vez lhe disse. Parece adequado. Ele repete as palavras com esforço, e pede para que Edward as repita para todos os outros cadetes. Ele sorri mais uma vez, pois não tinha quaisquer arrependimentos, havia cumprido sua missão. Nesse momento, ele larga sua espada, e deixa este mundo do mesmo jeito que o seu pai: com um sorriso no rosto e paz no coração.
"O que é isso? Estou consciente? Como isto é possível? Ele está morto. Eu deveria ter ido com ele. Por um momento eu pensei que...
Ah, então era isso! Hahahahahaha! Sim, a sorte está do meu lado! Meus planos foram adiados mais uma vez, mas ao menos ainda estou vivo. Eu sou paciente... e dessa vez, encontrei a presa perfeita. Que ironia do destino. Quem iria imaginar que esta pedra abominável salvaria a minha vida, um dia? Hahahahahahaha! Você pode ver isto, Germonik? Eu espero que sim!
Aguarde, minha senhora. Seu mais devoto servo foi recompensado por sua paciência e lealdade. Logo eu terei um novo hospedeiro, e prepararei o caminho para a sua chegada neste plano..."

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